A nuvem veio e o sol parou. No intervalo da sombra quantos pensamentos houve? Quanto esqueci, quanto sonhei?
Na volta da luz, fuga da nuvem não foi mais eu que o sol iluminou.
O que vemos das coisas são as coisas. Não há sentidos ocultos, nem segundas intenções na natureza. Há somente uma certeza: tudo está sendo o que realmente é.
Acordo de noite subitamente. No cais da escuridão sem limites não há portos de luz nem palavras. É como se a vida fizesse um intervalo, um corte no seu ciclo de horas, na sofreguidão do dia.
Acordo de noite subitamente como se acorda na morte.
Temo, Lídia, o destino. Nada é certo. As tragédias sobrevêm em marés e a razão não explica o mundo. Um plano de mistérios foi arquitectado por alguém que não sonha como a gente e não tem qualquer compromisso com a poesia.
Sinto possível o ser um sonho de outrem numa noite mal dormida de plenilúnio: quando ele acordar desaparecerei como uma nuvem e o amanhecer do seu dia será a minha morte.
Num espaço falso entre o que fui e o que sou perduram as frases que eu não disse aqueles gestos que eu não quis fazer e toda a história da minha vida que o destino não pôde escrever.
Professor Mestre Dr. Olavo Rubens Leonel Vieira,
Lorena, Brasil
2009-11-11 |