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www.fontedeluz.com - Crónicas de Maria José Amaral
 
Crónicas de Maria José Amaral
DESAPONTAMENTO

DESAPONTAMENTO

(Texto original; Português/Brasil)

 

Sempre fui avessa às tecnologias, bastava um papel e uma caneta pra eu escrever minhas poesias, nele cabia todas as tristezas e alegrias, bastava-me deixar a alma cair em forma de rimas vazias...

 

Era um prazer, ler e reler, e no final sorrir, ou até chorar pelas avarias que meu coração concebia. Foram longos anos, várias caixas de papéis manuscritos, que um dia deixarei de herança a meus filhos, afinal meu bem maior foi a poesia, o resto para mim era um meio de vida, comer, vestir, sobreviver, sem muitas coisas eu vivia, nunca me fez falta um sapato novo, uma nova panela, uma vassoura, ou uma pia, eu só não conseguia viver sem minhas poesias, era meu único vício, era uma de minhas grandes alegrias, escrever.

 

Escrever para alguém ler e dizer: Gostei...

 

Escrever para alguém ler e criticar: Isso não é poesia é...

 

Eu escrevia quando lembrava de algo digno de se lembrar...

 

Eu escrevia quando precisava esquecer, algo que doía só de imaginar...

 

Escrever para esconder, para revelar, para me manter em pé diante de tantas situações que me foram pouco irmãs e por incrível que pareça foram nessas fases tristes que escrevi as mais belas poesias, pode parecer ironia do destino, ou é o velho caso: Deus escrevendo por linhas tortas, ou seria eu que continuava entortando as linhas, errando rumos, fazendo versos para o próprio consumo?

 

Sempre foi assim, sempre fui assim...

 

Até que comprei um computador e decidi me adequar às normas dos seres ditos “Tecnologicamente antenados”, peguei um monte de trabalhos para fazer, li dezenas de livros, resumi, quase morri, não tenho mais tempo para compor, empobreci minha alma. Não tenho mais tempo para nada, de manhã preciso levantar cedo e aproveitar a cabeça “fresca”e trabalhar. Ligo a máquina que mais parece um “ET” com aqueles gemidos estridentes saindo de seus componentes e na tela aparece a seta clic aqui, clic alí; o que é isso? O computador sempre me pergunta: O que é isso? Erro sempre os comandos. Até meus cães estranharam, eles de vez em quando se aproximam, arranham minha perna é como se dissessem: Hei, você já terminou pra brincar com a gente?

 

Passo uma mão na cabeça deles, mas a outra continua no teclado, parece uma avaria, os prazos vencendo, o professor esperando a entrega da monografia e eu dividida entre os cães, o computador e a poesia...

 

É bom ter uma máquina que sabe tudo. Será que ela sabe tudo, às vezes me pergunto, essa tal tecnologia é uma avaria, a máquina finge que sabe, mas no fundo é a gente quem dita as regras, se a gente não digita ela não cria...

 

Ah, mas é um mundo artificial, a paisagem vem sem a brisa fresca a nos acariciar a face, a gente vê tanta coisa e quer comprar; digite o nº de seu cartão e pronto! É fácil, difícil é o rombo na conta bancária. A tecnologia é um barato que nos sai caro.

 

Quero mais uma ilha, uma casa simples, quero viver assim, sem a pretensão dos loucos que querem possuir o mundo, sem a inércia dos covardes que tem medo de sonhar, nasci pra poesia, esse é meu carma.

 

Descobri que não preciso muito para viver, o que quero da vida, felizmente já posso ter. Nasci poeta, semi-analfabeta e isso me basta para viver...

 

Maria José Amaral

Brasil

 27 Dezembro 2006

 


 


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