Não existe só um medo. Existem medos e as suas motivações são muito diversas. Conhecer o que origina o medo pode ser uma ajuda para o vencer. Para isso, torna-se aconselhável, ou necessário, efectuar uma “viagem” ao longo da nossa própria vida para se detectar os acontecimentos relevantes que possam ter originado traumas que em qualquer momento e por associação de memória desencadeiem o sentimento de medo ou medos que se encontram escondidos no mais profundo do nosso “eu”, escondidos, mas nunca esquecidos. Naturalmente, uma vez identificada a causa do medo a melhor solução é combatê-lo de forma firme e eficaz tendo em conta que é obra e consequência do passado e de certa forma irrelevante no presente a não ser pelas dificuldades que nos causa.
O medo é parte integrante da nossa vida e poderá muitas vezes funcionar como uma ferramenta de conhecimento e experiência que nos evitará muitos perigos e sofrimentos. No entanto, o medo traz-nos momentos menos bons, especialmente quando nos domina e bloqueia. Quando a fraqueza e a fragilidade se instala na nossa mente devemos fazer uso das nossas energias e das nossas forças, que muitas vezes desconhecemos, para combater este inimigo silencioso que nunca perde a oportunidade de nos colocar “em baixo”. Ele é “silencioso” porque é o resultado e o fruto da nossa mente, das nossas más recordações, do que o nosso imaginário constrói pelo negativo e acabando por criar uma personalidade sem a energia suficiente para combater os problemas e dificuldades que vamos acumulando.
Os sofrimentos originados pelo medo criam uma teia mental de mecanismos que aparentemente pretendem evitar o confronto com o medo, poupar-nos a males maiores. Mas na realidade, o que sucede é sermos colocados perante a insegurança, a angustia, uma baixa auto-confiança, falta de iniciativa, depressões e pavores. Naturalmente, não desejamos estas situações e muito menos continuar a alimentar estas fraquezas.
Alguns dos sintomas identificados com situações de medo são a alteração do ritmo cardíaco, suores frios, vertigens, indisposição, incapacidade de assumir atitudes, alterações do aparelho digestivo, dificuldades de concentração, tendências depressivas, etc. É imperativo que nos libertemos destes indicadores e alertas que não são mais que o resultado de vivências que foram sucedendo ao longo do tempo e que as fomos absorvendo, arquivando e aumentando as nossas fragilidades e fortalecendo as nossas fraquezas.
Deste modo, o caminho mais adequado para que nos libertemos de tantas e tão desagradáveis manifestações é aprender a forma mais eficaz de lutar (pela positiva) contra o nosso próprio eu e com a nossa personalidade naquilo que ela tem de fraco e dependente.
Pratique a auto-análise, viaje até ao seu interior em forma de meditação, conheça-se e consequentemente encontrará a força e a forma para se libertar de muitos dos seus medos.
2010-03-24