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Arcano VIII – A JUSTIÇA
 

As leis são como as teias de aranha; caem nelas os pequenos insectos, os grandes atravessam-nas." (Anacharsis)

O equilíbrio é a própria natureza do Universo. Este Arcano é uma advertência para que se evite todos os extremos. Os pratos da balança devem estar em equilíbrio e isso só será obtido, através da consciência do que está acontecendo dentro e fora de nós. Significa a necessidade de um exame imparcial das múltiplas facetas de uma situação, para podermos tomar atitudes correctas.

Existe uma complicada relação entre homens e justiça. No plano material, ela sempre tarda e nunca vem. É mutável, geográfica, temporal e, principalmente manipuláveis pelas classes dominantes. Como dizia o falecido e ilustre Dr. Fiel Fontes: - Minha filha, a justiça é cega, mas é mulher. Feminismo à parte, prefiro afirmar que a justiça não tem sexo, mas é profana.

A justiça a que se refere o Arcano VIII é fruto das leis de evolução do Universo. Lá não existem os jeitinhos, as propinas, os lobbys, os privilegiados. Já pensou se, por um breve descuido, algum planeta se desviasse de sua rota? Se, por atraso burocrático no Reino Akáshico alguém nascesse um século depois do acertado e, de messias passasse a Exterminador (I, II, III... sei lá)? No Universo tudo é justo e perfeito; já na Terra, é cambalacho e miséria.

A Justiça é a carta do prazer para o rico, desespero para o pobre, pânico para os maridos e alegria para as viúvas. Para as crianças, não serve absolutamente de nada, pois os adultos são extremamente injustos.

Em todo o caso, ela surge em nossa vida quando existe a necessidade de tomarmos uma decisão imparcial e equilibrada, sem nos distanciarmos, contudo, da misericórdia e compaixão.

A justiça. Existe?

Quando o carro de Sanita bateu violentamente naquele táxi, num cruzamento do Leblon, a vítima, foi justamente o marido dela, Pedro Paulo, que viajava como passageiro.

Anita, que não sofreu nenhum arranhão, ficou ali parada, atordoada, abobalhada, olhando por alguns minutos para o corpo grande, gordo e ensanguentado do marido, caído, estatelado, arrebentado, MORTO, irremediavelmente, no chão. Depois entrou em crise e gritou desesperada: - Foi a bruxa!... Foi a bruxa!

Ninguém entendeu nada. Mas eu, que acompanhei todos os acontecimentos, sei de tudo. Anita sempre quis matar o marido. Para ficar com o dinheiro dele.

No planeamento da estrutura da ASBRAS – Associação Brasileira de Analistas de Símbolos, grande parte de nossa preocupação recaiu sobre a legalidade do exercício de nossa função. Por causa disso tive inúmeros contactos com pessoas ligadas à área jurídica e, qual não foi minha surpresa ao constatar que, no Fórum do Rio de Janeiro, tramitavam nada menos que 8.000 processos de charlatanismo, envolvendo tarólogos, pais-de-santo, cartomantes, bruxos e afins. Curiosa, pesquisei alguns deles e quero contar para vocês o que mais me impressionou, trazendo-me a certeza de que, com bruxa ou sem bruxa, charlatão ou não, quando a vontade maior se manifesta, é impossível impedir que o desejo se concretize, ainda que o desejoso se arrependa no meio do caminho.

Anita, terceira filha de um modesto motorista de táxi de Madureira, sempre apostou no sucesso. Mas para isso contava apenas com sua carinha bonita e corpo bem feito. Avessa aos estudos, menina malandra, desde cedo aprendeu a sorrir com as pernas, seduzir com os olhos e dedicar-se ao antigo desporto de "caça ao marido rico".

Por isso, jamais frequentou o clubinho da esquina, preferindo gastar sua pobre mesada e todo o dinheiro que conseguia contrabandear do troco do supermercado, em ambientes de luxo da zona sul, ainda que para tal ficasse a noite inteira bebendo o mesmo e aguado Cuba-Livre. Fazendo caras e bocas de mulher fatal, barbarizava no Papagaio, lugar de encontro dos riquinhos da época.

Foi numa noite de sábado que deu de cara com Pedro Paulo. Menino bobo, já meio gordo, olhinhos pequenos, enfim, um autêntico e rico babaca. Não pensou duas vezes: - É esse. Vai ser meu marido.

Em menos de um ano, a profecia se cumpriu. E por um momento, Anita pensou que tinha posto a mão na massa. O que ela não sabia é que o verdadeiro dono da massa era o Brigadeiro Peçanha, pai de Pedro Paulo. Com mão de ferro, administrava todo o património, comprando apartamentos, negociando dações na Bolsa, suprindo a deficiência administrativa de seu rebento, que recebia somente uma mesada que, mal comparando, não ficava distante da que Anita defendia nos antigos idos de Madureira. É claro, já não precisava beber um Cuba-Livre aguado. Podia beber dois e com rum importado. Tinham economia, mas não tinham finanças.

Peçanha Neto nasceu num Natal chuvoso e era a cara do pai: gordinho, branquinho e babaquinha. Com seus berros de bebé seresteiro, enlouqueceu durante seis meses a pobre Anita, já que Pedro Paulo desenvolvera uma surdez incipiente (ou conveniente?) e deitava para dormir o sono dos justos.

"E assim se passaram dez anos..." Ou doze, treze, não importa. O que interessa mesmo é que Anita se ferrou de pai, mãe, babá e cachorro. Enquanto isso, uma ideia fixa começava a se formar num canto escuro da mente de nossa amiga: - Ah se ele morresse!...

Com sua experiência da juventude, começou a guardar o troco do supermercado, com a intenção de visitar aquele pai-de-santo lá do subúrbio, tão bem recomendado por sua amiga Ana Luísa. - Vai lá, boba, eu garanto que ele resolve. Olha, lembra da Maria José? Ficou viúva o mês passado. Entrou na maior grana do seguro do Osvaldo e já tem planos de se mudar do Brasil.

Ela foi.

Afeminado era pouco para descrever Pai Toinho de Logúm Edé. Em sua bata de renda, cintilavam colares de cristal de todas as cores e procedências, figas douradas, estrelas cravejadas de strass. Parecia mesmo uma fresca árvore de Natal. Recebeu as economias de Anita, tudo fez... E nada funcionou. Pedro Paulo continuava ali; firme, gozando de boa saúde, salvo, é claro, pela chatice incurável.

E daí para frente, fiel à sua ideia, Anita tentou mil coisas. Chegou mesmo a inventar um regime vegetariano, para usar o dinheiro da carne em suas andanças esotéricas. E nada.

Até que um dia, ouviu uma conversa na fila do supermercado. Uma senhora indicava para outra, uma cartomante no Leblon, dizendo-lhe com ares de mistério: - Olha, essa resolve, só que é muito careira. Discretamente, apurou os ouvidos e conseguiu anotar o número do telefone.

Seu primeiro encontro com Madame Ivanova, macróbia de origem russa, foi aterrador. Madame Iva (para os íntimos), cercada por inúmeros gatos, parecia recém-saída de um filme antigo de Bóris Karloff. Olheiras profundas, atitude enigmática, gestos soturnos e voz cavernosa de tenor sapatão, após ouvir atentamente a choradeira de Anita, respondeu-lhe:

- Sim, é possível. Mas tudo tem seu preço. Eu cobro em dólar.

- Não disponho de muito, mas dá-se um jeito. - disse Anita, já pensando em vender sua aliança de casamento e os brincos de brilhantes, presente do sogro em seu aniversário de trinta anos - Voltarei na próxima semana.

Enquanto isso, um drama se desenrolava na vida do Brigadeiro Peçanha. Os negócios iam de mal a pior. Uma súbita queda na Bolsa deixara o patriarca com as calças na mão. Quis conversar com Pedro Paulo, mas, sentindo a inutilidade desse gesto, preferiu calar-se. E foi o suficiente. O coração não aguentou e Peçanha bateu as botas, esticou as canelas, partiu dessa para melhor.

O enterro atrasou os planos de Anita, mas facilitou para que conseguisse algum dinheiro. Pechinchando numa funerária ali, economizando uma coroa acolá, ela conseguiu reunir o sonhado capital, passaporte de sua felicidade. E partiu para a casa da Bruxa.

Não teve acesso ao que foi feito; a ela cabia somente pagar. - O resto é comigo, disse Madame Iva com um sorriso misterioso de poucos dentes.

Quinze dias se passaram. Nada aconteceu.

Reunindo a coragem que lhe foi possível, Anita pegou o carro e partiu para o Leblon.

- Maldita bruxa. Ela vai se haver comigo! Paguei caríssimo e, salvo a crise de bronquite no enterro do pai, Pedro Paulo continua mais vivo do que nunca. E logo agora que o inventário vai ser aberto e nós somos os únicos herdeiros!... - E foi assim, distraída com seus pensamentos, que Anita nem reparou que o sinal estava com defeito e atravessou no vermelho.

Cumpridas as formalidades, Anita foi informada pelo delegado de plantão que seria aberto um inquérito para apurar as responsabilidades da trágica ocorrência.

No princípio ele não quis dar ouvidos aos gritos possessos de: - Foi a bruxa! Foi a bruxa! - mas depois, curioso perguntou:

- Que bruxa é essa, minha senhora?

Anita, desvairada, contou-lhe a sua história. O delegado, macumbeiro de carteirinha e guia de São Jorge no pescoço, imediatamente enviou uma patrulha ao endereço indicado.

- É aqui que mora uma tal de Madame Iva? - indagou o truculento detective.

- Ah! A bruxa? - respondeu a vizinha. - Viajou para Miami, há mais de uma semana. Acho que não volta. Soube que conseguiu emprego como assessora de um milionário. Veio até um homem para levá-la ao aeroporto...

Passado o duplo resguardo funerário, aberto o inventário e cumpridas todas as formalidades legais e administrativas, Anita descobriu, para sua loucura final que, ao contrário de suas expectativas, herdou mesmo foi uma trolha deste tamanho. Falência de todas as empresas do grupo, uma série interminável de impostos inadimplentes e a certeza de que A JUSTIÇA TARDA, MAS NÃO FALHA

Fonte: Glória Britho
Brasil

Actividades principais: Taróloga , Astróloga, Terapeuta, Jornalista e Escritora.

Se desejarem consultar Glória Britho poderão fazê-lo através dos telefones: 21 2556-4626 - 21 9748-0097.

E-mail: gloriabritho@fontedeluz.com
Rio de Janeiro
Flamengo
Brasil

2004-04-15

     


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