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O DUENDE, A FADA E A SEREIA
 

O DUENDE, A FADA E A SEREIA

 

 

 

     Um dia, os elementares da natureza, fizeram uma reunião: Decidiriam em assembleia, quem era o mais importante no Reino Encantado, para o gosto das crianças e o equilíbrio do mundo. Cada elementar da Natureza tem seu papel importante, seja ele da terra, mar ou ar.

     Mas todos se julgavam os melhores. Para esse impasse, então foi realizada a tal reunião.

     Começando a assembleia, o Duende Chefe (que era o mais velho), bateu o martelinho e declarou aberta a sessão. Vieram seres encantados de todos os tipo para essa votação: Gnomos, elfos, ondinas, ninfas, e outros...

    Havia muito rebuliço de vozes e o Duende Chefe, pediu silêncio. Disse então, que o representante das fadas, o elfo Vladimir iria falar.

O elfo discursou sobre a importância das fadas, fosse para as crianças, fosse para o equilíbrio da natureza, desfiando uma série de factos para  demonstrar o que dizia.

    Uma grande tela, como de cinema, pairava no ar e ele apontava e explicava...

Acabada a apresentação, foi a vez dos duendes. O duende Olavo foi chamado para as suas considerações. Ele falou, falou, e depois de alguns minutos, foi vaiado. Começou um tumulto, e o Duende Chefe bateu o martelinho mais uma vez.

    Agora era a vez da ondina Susana. Falaria em favor das suas superiores, as sereias. Mostrou que o canto das sereias embalava o sono dos marinheiros cansados, que sua beleza era um bálsamo para os olhos..

    Expostas as considerações, o júri reuniu-se. Depois de muita  conversa, acharam melhor decidir a questão por desafios.

O primeiro desafio seria: Entrar em um caldeirão no meio da floresta que estaria cheio de óleo bem quente. Quem ficasse mais tempo, seria o vencedor. Os juízes foram escolhidos: um centauro, um ogro e um  mago ancião muito respeitado pelo seu alto padrão de justiça.

    O primeiro a entrar no caldeirão foi o duende, seguido da fada e por último a sereia. O duende gritou de dor, a fada chorou, e a sereia fritou o seu rabo de peixe!

    Não houve vencedor. Todos saíram do caldeirão. Tal prova era dolorosa demais! Os juízes deram empate. Determinaram assim a segunda tarefa: Quem trouxesse a bela flor que crescia em uma pedra, sem danificá-la, seria o vencedor. Só que essa flor era devidamente protegida pelo gigante Tomásio. Passar por ele, seria sim o desafio! Partiram um duende, uma fada e outra sereia carregada em um tonel cheio de água, para o monte onde a flor se encontrava.

    O duende tentou distrair o gigante fazendo cócegas no dedão do pé. A fada voou até aos olhos do gigante, e com uma flor cheia de espinhos furou os seus olhos. A sereia pulou para fora do tonel e pegou a flor antes que o gigante percebesse, pois ele estava agoniado coçando os olhos. Usando de esperteza a sereia ganhou o desafio. Mas, os juízes decidiram que foi empate novamente, já que todos trabalharam em grupo.

    O terceiro desafio foi imposto: Se algum deles conseguissem fazer uma criança triste e pobre,  sorrir novamente e ser feliz, venceria a prova.

    Ali estava uma peleja que todos os competidores dentro de si, achavam que ganhariam!   Seguiram em frente à procura de alguma criança que precisasse de ajuda nas condições impostas pelos jurados.

    O duende achou um menino, que chorava por se ter perdido dos seus pais. O duende aproximou-se e disse:

 _ O que houve menino?   Chora por quê?

    O menino contou a sua história, e o duende propôs contar algumas piadas do seu repertório, para que ele se alegrasse. O menino  disse que não adiantaria, só ficaria feliz de novo, quando encontrasse os seus pais.

    E o duende decidiu então, que ajudaria a procurar pelos pais do menino. Foi aí que teve a ideia de pedir à sereia Ornela, que cantasse bem alto para que os pais do menino, que deveriam estar procurando por ele o pudessem ouvir. É sabido que o canto das sereias atrai as pessoas para onde elas estejam. A fada Coralina também ajudaria sobrevoando a floresta para ver se avistava os pais do menino, guiando-os assim, até ele.

    Tudo acertado, finalmente os pais do menino, o acharam, com a ajuda  dos elementares.   Como eram muito pobres, cada um resolveu dar um presente, para ajudá-los: O duende deu um pote de ouro.  A fadinha Coralina, deu uma casinha nova. A sereia Ornela, tirou de seus belíssimos cabelos, um diadema cravejado de pedras preciosas.

    A família ficou muito feliz com esses presentes. Resolveram deixar também algo, como prova de gratidão: A única ave que possuíam, presa em uma gaiola: Um belo canário. Os elementares da natureza, como não poderiam aceitar uma ave presa, deram a liberdade ao canário abrindo a gaiola!

    Os juízes, que tudo viram escondidos, resolveram dar o empate mais uma vez. Todos voltaram para a reunião no Reino Encantado. Quando chegaram, foram recebidos com muitas palmas.

    O Duende Chefe que presidia a assembleia, bateu o martelinho e declarou:

Senhoras e senhores, seres da Natureza, declaro por unanimidade que todos os competidores envolvidos são de igual importância. Sendo assim, não há vencedores. Todos nós fazemos parte de um ciclo vital e harmonioso. Sem a colaboração de cada um de nós, não haveria equilíbrio!

Somos elementares e continuaremos com nosso propósito: O bem de toda criatura na face da Terra! Portanto, declaro encerrada esta assembleia!

    E assim, no Reino Encantado, não mais se falou sobre competições, e sim na cumplicidade entre eles para o bem do Planeta Terra.

 

 

ACERCA DA AUTORA:

 

Conto extraído do seu primeiro livroContos que eu te conto”.

Tem um segundo livro publicado "Dominó – Reacção em Cadeia". Livro que conta a história da sua família desde que saíram de Portugal, no início do século XX, até aos dias actuais.

 

Maria de Fátima Abreu de Oliveira. Escritora Brasileira, natural do Rio de Janeiro, escritora de contos, poesias, artigos para Jornais, entre outras actividades relacionadas com a literatura.

 

Nota do “Fonte de Luz”

É com muito prazer que passamos a contar com a colaboração de Maria de Fátima Abreu de Oliveira, de quem não temos dúvidas que muito em breve será uma mais valia na literatura portuguesa.  

 

 

2008-01-13

     


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