A Evolução e a Consciência
Como trabalhar
connosco, com os nossos sentimentos, emoções, pensamentos, com a nossa
inteligência, razão, sem o conhecimento de quem realmente somos, daquilo que
sentimos, da nossa individualidade e do nosso eu interior.
Geralmente, julgamo-nos melhores do que realmente somos porque nos
baseamos nas nossas intenções. Todavia, não somos intenções e objectivos, quase
sempre ficamos muito aquém deles, existe uma grande distância entre o desejar, o
aspirar a ser e o ser.
Para que a nossa existência seja produtiva no nosso desenvolvimento
torna-se necessário conhecermo-nos interiormente o mais e melhor possível.
Conseguirmos a consciência de quem somos.
A consciência é “sentimento daquilo que se passa connosco”; “o
testemunho ou julgamento secreto da alma que aprova as acções boas ou rejeita
as más”.
Consciência é algo que existe em nós, que nos leva a reconhecermo-nos
a perceber com clareza o que e como sentimos, pensamos, agimos e reagimos no
nosso viver quotidiano. Todos os seres humanos quando tomam consciência da sua
individualidade fazem as mesmas perguntas e encontram as respostas que o seu
desenvolvimento intelectual e moral indicam:
“Quem somos?”,
“De onde viemos?”
“Para onde vamos?”
Quanto mais se desenvolve o homem intelectual e moralmente, quanto
mais ele se educa no conhecimento das leis de Deus, mais essa consciência se desenvolve
e melhor ele percebe quem é, como é, o que pode ser e, quanto mais claramente
ele ouve a voz da sua consciência mais percebe os outros tornando-se uma pessoa
melhor. Adquire mais e melhores condições para viver, de ajudar mais e melhor o
seu próximo e de colaborar com mais eficiência no desenvolvimento da comunidade
onde vive. Adquire a consciência de que é alguém, de que existe e vive.
Esse despertar da consciência conduz o homem a satisfazer as suas
necessidades físicas, desenvolvendo o egocentrismo tão necessário à sua
sobrevivência e conservação, onde ele e as suas necessidades são o centro: “primeiro eu, depois o outro”. Infelizmente, esta ideia ainda persiste
hoje entre as pessoas que não perceberam que actualmente a necessidade maior é
a da solidariedade em favor de “nós” e não do “eu”.
A progressão espiritual faz-se igualmente através das lutas
materiais e chega um momento na vida de cada Espírito no qual ele percebe e
adquire a consciência da sua realidade espiritual e das suas “novas”
necessidades.
Geralmente, cansado de repetir experiências de reencarnação guiado
pelo orgulho e egoísmo entende a luz do amor de Deus e o quanto dela se afastou.
Surge o arrependimento, a vontade de mudar tudo, de transformar-se, de recomeçar,
por que tem dentro de si, gravado na sua consciência, a lei da reencarnação que
o leva à evolução.
É então, que ele se dispõe a esse trabalho de regeneração que lhe
parece gigantesco quando outras lutas surgem muitas vezes mais difíceis do que
as vividas anteriormente, lutas internas, consigo próprio, procurando ouvir a
voz da sua consciência. Todas as tarefas que empreende a partir de então parecem-lhe
plenas de dificuldades, tanto maiores quanto mais egoísmo e orgulho carrega
dentro de si.
Graças ao amor e à misericórdia de Deus que nos criou para a
perfeição e felicidade, a mesma vontade que ele (homem) usou para
satisfazer os seus instintos e sensações primitivas é a que ele agora pode e
deve usar na edificação da sua regeneração e do seu auto-aperfeiçoamento.
E uma nova luta começa, cada vez que se atinge determinado alvo que
antes parecia quase inatingível outro aparece a fim de o conduzir à redenção.
Mas vamos lutar sempre?
Sim, viver é lutar, crescer, desenvolver-se, vencendo os desafios
internos e externos, Fomos feitos para mudanças e transformações. As estátuas são
feitas para ficarem estáticas a fim de serem admiradas. O homem não. Vive, progride sempre, sendo
em qualquer idade desafiado por dificuldades e obstáculos.
2007-11-14